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Sonoridade e arte em Água Preta
O festival de Jazz e Blues Usina de Arte de Água Preta, surge como a "trilha sonora" ideal para um cenário incrível.
I Usina Jazz & Blues Festival. O Conceito e o Nascimento.
O I Usina Jazz & Blues Festival é um marco porque consolida a Usina de Arte, em Água Preta, não apenas como um parque de esculturas, mas como um polo gerador de experiência sensorial e desenvolvimento econômico para a Zona da Mata Sul.

A Usina de Arte, instalada nas terras da antiga Usina Santa Terezinha, já é um fenômeno de regeneração urbana e ambiental por meio da arte contemporânea. O festival de Jazz e Blues surge como a "trilha sonora" ideal para esse cenário. A ideia é tirar o eixo desses gêneros musicais das capitais e das serras (como Garanhuns e Gravatá) e levá-los para o ambiente industrial-bucólico da Zona da Mata.
O evento foi desenhado para ser uma imersão: a música não é um acessório, mas um diálogo com as obras de arte monumentais e a natureza local. É a cultura como ferramenta de turismo de experiência.
O Idealizador: Bruna e Ricardo Pessoa de Queiroz
Embora o festival conte com curadoria especializada, o "DNA" do projeto pertence ao casal Ricardo e Bruna Pessoa de Queiroz.
Visão: Eles transformaram uma antiga usina desativada em um centro cultural de relevância internacional.
Propósito: Para eles, a cultura deve ser o motor da economia local. O festival não é um evento isolado; faz parte de um plano de desenvolvimento que já inclui uma escola de música, biblioteca e o maior jardim botânico de Pernambuco.
Curadoria: A execução artística contou com nomes experientes no gênero, garantindo que a programação não fosse apenas "música ambiente", mas sim uma mostra técnica e virtuosa.
Execução e Logística
Diferente de grandes festivais de massa, a execução do Usina Jazz & Blues foca na sustentabilidade e no conforto.
Infraestrutura: O festival utiliza o cenário natural da Usina (áreas verdes e galpões históricos) como palcos naturais.
Acesso: Foi montada uma logística de transporte e sinalização para atrair o público de Recife, Maceió e cidades vizinhas, aproveitando a localização estratégica entre Pernambuco e Alagoas.
Gastronomia e Artesanato: O festival integrou a culinária regional e os artesãos locais, garantindo que o impacto financeiro ficasse na comunidade de Santa Terezinha e Água Preta.
Impacto Socioeconômico
A execução não visou apenas o entretenimento, mas o fortalecimento da rede hoteleira e de serviços da região.
Capacitação: Moradores locais foram treinados para atuar na produção, recepção e serviços do festival.
Visibilidade: O evento colocou Água Preta na rota dos festivais de "nicho premium" no Brasil, atraindo um público com alto poder aquisitivo e interesse cultural refinado, o que valoriza o território.
O Legado e Futuro
O sucesso da primeira edição valida o modelo de gestão privada de equipamentos culturais com acesso público. O festival provou que o interior de Pernambuco tem fôlego para eventos que fogem da caricatura do Forró/Frevo (sem desmerecê-los), oferecendo diversidade estética.
O plano de execução para as próximas edições prevê a ampliação das oficinas de música para os jovens da região, criando um ciclo onde o festival consome a mão de obra e o talento que ele mesmo ajuda a formar.
"O que buscamos criando esse festival é trazer para nossa região um conhecimento mais aprofundado, uma nova maneira de ver a música, que as pessoas possam usufruir desse conceito e entender a cultura do Jazz, do Blues, que fala muito com a nossa cultura, que vem da África e de outras regiões da América e Europa. O nosso frevo e o forró têm muito do jazz". (Ricardo Pessoa de Queiroz)
Nota de Análise: O que torna esse festival diferente é que ele não "pousa" na cidade como um disco voador para ir embora no dia seguinte. Ele nasce de um ecossistema que já existe e funciona o ano inteiro. É o oposto do "palanquismo" cultural que vemos em muitas prefeituras por aí.
Programação: I Usina Jazz & Blues Festival

Sexta-feira (27/03)
Jazz Blues Band: Abertura com a sonoridade clássica que dá nome ao festival.
Esquinas do Blues (com Liz Völkel e Marcelo Demo): Um projeto que traz uma roupagem sofisticada e autoral ao gênero.
Sábado (28/03)
Os Caras do Blues: Banda que traz a energia do blues tradicional para o cenário da Usina.
Bella Schneider & Band: A ex-The Voice traz sua potência vocal e versatilidade, misturando jazz, blues e pitadas de soul.
Domingo (29/03)
Mallavoodoo: O renomado grupo pernambucano de jazz-rock/fusion, conhecido pelo virtuosismo instrumental.
Clave de Fá: Encerramento com a elegância do instrumental que dialoga bem com o ambiente artístico do parque.

Vale destacar que a execução deste festival foi casada com um evento artístico de muito peso: a inauguração da obra "Óculo", do artista Artur Lescher.
Por: Tony Lucas
