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Tudo no seu devido lugar
A governadora também monta seu time. Com alguns machucados, mas com mais meio-campistas que atacantes.
O jogo traz o olho no futuro, a analogia ao futebol não é à toa. Não esqueçamos que é ano de Copa do Mundo e os comportamentos do povo influenciam nas eleições com vitória ou derrota. Teremos uma campanha antes e outra depois da Copa. A decisão, principalmente nacional, estará para um lado político nos pés dos atacantes da seleção. Quem apostaria na seleção brasileira hoje? Se resguardar com um time de meio-campistas pode ser uma grande estratégia
Essa jogada é mais uma movimentação pesada no campo de jogo, típica de quem está consolidando uma "muralha" de centro-direita para blindar a gestão. A entrada do União Brasil e do PP não traz apenas tempo de TV, traz capilaridade no interior, algo que é essencial para entrar em conflito com a memória afetiva do "Arraesismo" e a força da máquina federal do PT
A composição com Miguel Coelho para o Senado parece uma jogada de pacificação estratégica: ele traz o "celeiro" de votos de Petrolina e resolve uma pendência histórica de liderança no Sertão.

O cenário fica interessante:
Eduardo da Fonte (PP): Mesmo com as exonerações recentes, que ele classificou como precipitadas, o PP é um "partido-instituição" em Pernambuco. A força da sigla muitas vezes atropela desavenças pontuais. Ter Dudu na chapa é garantir uma estrutura de prefeitos que poucos grupos possuem.
Mendonça Filho (União): Representa a consistência técnica e o voto de opinião da Região Metropolitana. Ele daria um tom mais ideológico e experiente ao palanque, servindo de contraponto direto à narrativa da esquerda.
Raquel sabe que o Recife, vamos usar um termo moderno, é um "bunker" do PSB, mas o mapa de Pernambuco é muito maior que a Região Metropolitana, e é no interior que as chapas de centro-direita costumam decidir o jogo.
Ao consolidar essa "União Progressista" (União Brasil + PP), ela cria uma união sobre o estado:
A força do agreste e sertão
Miguel Coelho e o Sertão: Com Miguel na chapa, Raquel "anexa" a força política de Petrolina e do Vale do São Francisco. Isso é fundamental para neutralizar a influência federal de Lula na região, oferecendo uma liderança local forte que fala a língua do produtor e do sertanejo.
A Base de Caruaru: Sendo sua terra natal, o Agreste já é um terreno onde ela joga em casa. A união com o clã Coelho faz com que ela domine os dois principais polos de desenvolvimento fora da capital.
A "Engrenagem" do PP e Eduardo da Fonte
Mesmo com o ruído das exonerações recentes — que Eduardo da Fonte classificou como "precipitadas" — o PP é pragmático. Se a federação com o União Brasil se confirmar nacionalmente, Dudu da Fonte traz consigo uma legião de prefeitos e vereadores, especialmente na Zona da Mata e no Agreste Setentrional. Para esses prefeitos, o que importa é a "caneta" do Palácio e a garantia de emendas, e Raquel está usando o PE na Estrada como a principal moeda de troca para garantir essa fidelidade.

O Fator Mendonça Filho
Mendonça é a peça que faz a ponte com o eleitor de direita mais convicto e com o setor produtivo da RMR. Ele ajuda a "furar a bolha" no Recife e Olinda, onde o discurso técnico e liberal tem mais eco.
O Risco da "Nostalgia de Arraes"
O maior desafio dessa estratégia é que, enquanto Raquel monta uma estrutura de máquina e partidos, João Campos aposta no carisma e no simbolismo. A eleição de "fora para dentro" funciona se as entregas de infraestrutura chegarem à ponta antes de 2026. Se o povo no interior sentir que a gestão é apenas "frio e técnico", a lembrança de Arraes e o apoio de Lula podem falar mais alto no palanque adversário.
A governadora Raquel Lyra consolidou uma movimentação de peso ao se alinhar de vez com o União Brasil e o PP em uma frente que visa blindar sua gestão e "pavimentar" o caminho para a reeleição. A estratégia é clara: uma eleição vencida "de fora para dentro". Ao trazer o clã Coelho, representado por Miguel Coelho para o Senado, Raquel não apenas pacifica o Sertão, mas anexa a força política de Petrolina, criando um contraponto direto à influência federal lulista na região.
A pergunta que não quer calar: Quem será vice?
Por: Tony Lucas
