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O hoje e o que vem por aí.

Um paralelo em 14 tópicos par você entender o jogo pelo poder em Pernambuco

O cenário para o Palácio do Campo das Princesas em 2026 está se desenhando como um dos mais acirrados das últimas décadas, polarizado entre a atual governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

Aqui está um paralelo direto sobre o que cada candidatura representa e as tendências numéricas atuais:


O Paralelo das Candidaturas

Aspecto

Raquel Lyra (PSD)

João Campos (PSB)

Perfil

Gestão técnica, foco em austeridade e parcerias público-privadas.

Gestão pop/tecnológica, foco em entregas rápidas e forte presença digital.

Pilar de Benefício

Infraestrutura e Segurança: Foca na conclusão de obras paradas, expansão da Compesa (água/esgoto) e no programa "Juntos pela Segurança".

Educação e Urbanismo: Foca na expansão recorde de creches, inovação (Embarque Digital) e grandes obras de mobilidade e contenção de encostas.

Alianças

Busca o "centro expandido", tentando equilibrar o apoio institucional de Lula com a neutralidade para atrair votos da direita.

Aliança consolidada com a Frente Popular e proximidade estreita com o Governo Federal (PT/Lula), visando ser o "candidato do Presidente".

Narrativa

"Arrumando a casa": defende que pegou um estado quebrado e está plantando para colher no segundo mandato.

"O novo que entrega": usa a aprovação recorde no Recife (casa dos 80%) como vitrine do que pode fazer no estado todo.



Tendências e Números (Capital vs. Interior)


As pesquisas mais recentes (como Real Time Big Data e Datafolha de fevereiro de 2026) mostram cenários distintos dependendo da região:


1. Capital e Região Metropolitana (RMR)


  • Tendência: Ampla vantagem para João Campos.

  • Números: Na capital, João chega a bater a casa dos 60% a 70% de intenção de voto, impulsionado pela alta aprovação da sua gestão e o "recall" eleitoral de 2024.

  • Desafio de Raquel: Reduzir a rejeição na RMR, onde o sentimento de "abandono" em questões como transporte e abastecimento de água é mais explorado pela oposição.


2. Interior (Agreste e Sertão)


  • Tendência: Cenário de equilíbrio com leve vantagem ou crescimento para Raquel Lyra.

  • Números: No Agreste (sua base histórica em Caruaru), Raquel mantém liderança. No Sertão, as pesquisas mostram uma disputa "voto a voto", com João Campos herdando o capital político do pai (Eduardo Campos), enquanto Raquel cresce através de entregas de programas sociais como o "Mães de Pernambuco".

  • Fator Decisivo: O interior costuma ser o fiel da balança. A governadora aposta na capilaridade do governo estadual e em parcerias com prefeitos do interior para frear o avanço de João fora da capital.


3. Dados Gerais (Estimulada - Março/2026)


  • João Campos: Varia entre 51% e 55%.

  • Raquel Lyra: Varia entre 31% e 36%.

  • Outros nomes (Eduardo Moura/Novo, Ivan Moraes/PSOL): Somam cerca de 10% a 12%, o que é crucial para definir se a eleição termina no 1º turno ou se haverá o confronto direto no 2º.


O que isso traz de benefício real?


  • Com Raquel: A população pode esperar uma continuidade na reforma administrativa e investimentos estruturais de longo prazo (como a concessão da Compesa para universalizar a água).

  • Com João: A expectativa é de um governo mais ágil em termos de obras sociais e urbanas, replicando o modelo de "zeladoria" e tecnologia que implementou no Recife em escala estadual.


Essa movimentação de João Campos ao fechar com o PT (Humberto Costa) e o PDT (Marília Arraes), enquanto mantém o "namoro" avançado com o PP de Eduardo da Fonte, coloca a governadora Raquel Lyra em uma posição de xadrez político que exige respostas rápidas.

Se a chapa de João se consolidar com essa robustez — unindo o recall de Marília, a base orgânica do PT e a força municipalista de Eduardo da Fonte — Raquel corre o risco de ficar "ilhada" politicamente.

Aqui estão os caminhos e estratégias que Raquel poderá (e já está tentando) adotar para contra-atacar:


4. O "Troco" nas Estruturas: Limpeza no Governo


Raquel já deu o primeiro sinal: exonerou indicados do PP de cargos no estado após as sinalizações de Eduardo da Fonte para João.

  • A lógica: Se o partido não garante fidelidade, ele perde o acesso à máquina pública estadual. Isso serve de aviso para outros aliados (como o União Brasil) de que em 2026 não haverá espaço para "dois palanques" dentro da gestão.


5. Fortalecimento da Chapa Própria com Miguel Coelho



Com a saída de nomes do campo da esquerda e do centro-fisiológico para João, Raquel tende a fechar sua chapa com perfis de centro-direita e direita moderada.

  • Vice ou Senado: O nome de Miguel Coelho (União Brasil) ganhou força total. Ele já declarou que caminhará com Raquel e quer o Senado. Isso garante a Raquel um palanque fortíssimo no Sertão (Petrolina), equilibrando a força de João na Região Metropolitana.

  • A vaga de vice: Pode ser usada para atrair um partido médio ou para manter Priscila Krause, que traz a confiança e a interlocução com o setor produtivo.


6. A "Fila do Pão" do Governo Federal (O fator Lula)


Raquel não quer entregar o apoio de Lula de mão beijada para João Campos.

  • Estratégia: Ela continuará colando sua imagem nas entregas do Governo Federal em Pernambuco (Arco Metropolitano, Transnordestina, Minha Casa Minha Vida).

  • A narrativa: Raquel vai bater na tecla de que é uma "parceira institucional" de Lula, tentando forçar o presidente a uma neutralidade ou, no mínimo, a não ser um cabo eleitoral exclusivo de João no primeiro turno.


7. Ofensiva no Interior (Guerra de Prefeitos)


Se João tem Eduardo da Fonte (o "rei dos prefeitos"), Raquel tem o PSD de Gilberto Kassab e o PSDB.

  • Cooptação: Raquel está em uma maratona de filiações. Recentemente, filiou sete deputados estaduais e diversas lideranças ao PSD. Ela tentará usar o orçamento do estado e o "PE na Estrada" para manter os prefeitos do interior sob sua influência, compensando a perda do PP.




8. O Voto Conservador e o "Bolsonarismo Light"


Com João Campos se movendo para a esquerda (Humberto e Marília na chapa), abre-se um vácuo no eleitorado conservador que não quer votar no PSB nem no PT.

  • O Dilema: Raquel pode tentar atrair o PL de Anderson Ferreira, mas isso é perigoso porque poderia afastar o diálogo com Lula. No entanto, se ela se sentir muito isolada, uma aliança tácita com a direita pode ser o único caminho para garantir o 2º turno.


9 . Resumo da Ópera:


O movimento de João com Eduardo da Fonte é um cerco à governadora. A resposta de Raquel será radicalizar na gestão (focar em entregas rápidas para subir a aprovação) e fechar com o União Brasil e o PSD para garantir que o interior do estado não "vire" para o lado do prefeito.


Qual impacto disso dentro da ALEPE?


A saída do PP de Eduardo da Fonte da base de Raquel Lyra é o movimento mais sísmico na política pernambucana neste março de 2026. Se João Campos está "namorando" o PP, Raquel já partiu para o "divórcio com partilha de bens" — e a partilha foi pesada.

Aqui está o que Raquel está fazendo agora e o impacto real na ALEPE:


10. O "Cálculo de Danos" (Exonerações Estratégicas)


Raquel não esperou o PP desembarcar oficialmente. Ela antecipou o golpe para mostrar quem manda na caneta. As exonerações de indicados de Eduardo da Fonte em órgãos vitais como LAFEPE, CEASA e Porto do Recife têm dois objetivos:

  • Asfixia Política: Retirar o poder de fogo (cargos e orçamento) que o PP usaria para fortalecer candidatos a deputado e o próprio palanque de João no interior.

  • Divisão Interna: Ao manter Kaio Maniçoba (PP) na Secretaria de Turismo, ela tenta "rachar" o partido. Ela sinaliza que quem quiser ficar com o governo (e os cargos) terá espaço, mesmo que o comando nacional/estadual do partido mude de lado.


11. O Contra-Ataque: "Operação PSD"


Para compensar os 8 deputados do PP que agora tendem à independência ou oposição, Raquel deu um xeque-mate na última semana: filiou 7 deputados estaduais ao PSD.

  • O efeito: Ela está criando uma "superbancada" governista para não depender mais da boa vontade de Eduardo da Fonte ou das manobras de Álvaro Porto (Presidente da ALEPE).

  • Isolamento de Álvaro Porto: A relação com o presidente da Casa está no pior nível histórico (com trocas de farpas públicas sobre "ingratidão"). Ao fortalecer o PSD e o União Brasil (de Miguel Coelho), Raquel tenta esvaziar o poder de pressão de Álvaro.


12. O "Nó" no Orçamento de 2026


O impacto mais imediato é na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2026.

  • Sem o PP, a governadora perde a maioria folgada nas comissões. Isso explica por que o orçamento de 2026 chegou a março ainda com impasses e vetos sendo discutidos no TJPE.

  • A estratégia de Raquel: Ela vai usar o discurso de que a "velha política" na ALEPE está tentando travar o estado para favorecer a candidatura de João Campos. É uma aposta alta no "nós contra eles".


13. O Fator "Vassalos" e o Interior

Raquel sabe que o PP é fortíssimo no interior. Para anular isso, ela deve intensificar as agendas do "PE na Estrada". A ideia é entregar asfalto e obras diretamente nos municípios, conversando com os prefeitos por cima dos deputados do PP. Se o prefeito quer a obra, terá que garantir o apoio, independente do que Eduardo da Fonte mandar.


14 . O que esperar nos próximos dias?


A grande dúvida agora é o União Brasil. Se Raquel conseguir selar a chapa com Miguel Coelho para o Senado agora em março/abril, ela estanca a sangria causada pela saída do PP.


Por: Tony Lucas


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