
Assalto de rico lll e a CPI
Estamos diante de um escândalo para os próximos séculos não apagarem da história. O assalto organizado por um bandido e de mais uns 300 envolvidos é o maior roubo da história do Brasil. Já passa dos 60 bilhões segundo a PF. O que é incrível é que os ladrões estão a frente das ações que devem prendê-los. Se a PF não for autônoma não fechará esse imbróglio. Entenda sobre a enrolação da CPI que ninguém quer.

A situação política em torno da CPI do Banco Master no início de 2026 é um clássico exemplo de "xadrez parlamentar", onde a investigação técnica se mistura a moedas de troca política de alto escalão.
Embora os pedidos de CPI (e CPMI) tenham assinaturas suficientes (mais de 238 deputados e 42 senadores), a cúpula do Congresso tem utilizado diversas estratégias para evitar que a comissão saia do papel.
Aqui está uma análise dos principais movimentos para barrar ou esvaziar a investigação:
1. O "Acordão" da Dosimetria (Moeda de Troca)
A estratégia mais recente e impactante envolve uma negociação direta entre a cúpula do Congresso e a oposição bolsonarista.
A Troca: Líderes do Senado e da Câmara sinalizam apoiar o PL da Dosimetria, que poderia reduzir significativamente a pena de Jair Bolsonaro e de generais envolvidos em processos recentes.
O Objetivo: Em contrapartida, a pressão pela instalação da CPI do Master seria "esfriada". Parlamentares governistas e da cúpula preferem evitar a CPI para não gerar instabilidade no sistema financeiro ou atingir figuras do Judiciário e do próprio governo citadas em relatórios.
2. Criação de "Vias Alternativas" (Esvaziamento)
Para tirar o foco de uma CPI exclusiva — que tem poderes de quebra de sigilo e convocação — o Senado adotou a tática da fragmentação:
Subcomissão na CAE: O senador Renan Calheiros instalou uma subcomissão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para acompanhar o caso. Oficialmente, dizem ser "complementar", mas na prática serve para dizer que o Congresso já está investigando, tornando a CPI "desnecessária".
Diluição em outras CPIs: Assuntos do Banco Master estão sendo empurrados para a CPMI do INSS (focada em crédito consignado) e para a CPI do Crime Organizado. Isso pulveriza o foco e impede que uma única comissão concentre todas as provas bilionárias de fraude.

3. Argumentos Regimentais e "Fila de Espera"
Na Câmara: O presidente da Casa (ou seus aliados, como Hugo Motta) utiliza o argumento da cronologia. Afirmam que existem mais de 15 pedidos de CPI na frente e que o regimento permite apenas cinco funcionando simultaneamente.
No Senado: Davi Alcolumbre tem segurado a leitura do requerimento, usando o calendário legislativo e pautas econômicas como prioridade para não dar início oficial aos trabalhos.
4. O Fator Judiciário
A investigação da PF citou nomes de ministros do STF (como Dias Toffoli), o que criou um clima de "autodefesa" institucional.
Há uma percepção nos bastidores de que barrar a CPI ajuda a manter a harmonia entre o Congresso e o Supremo, evitando que parlamentares usem a comissão como palco para atacar ministros do STF.
Resumo do Cenário
Quem | Ação para "barrar" ou controlar |
Cúpula do Senado | Segura a leitura do requerimento e foca na Subcomissão da CAE. |
Cúpula da Câmara | Coloca a CPI no fim de uma "fila" imaginária de pedidos. |
Oposição (PL) | Parte aceita recuar da CPI se houver avanço na anistia/redução de pena de Bolsonaro. |
Governo (PT) | Prefere que a PF e o Banco Central conduzam, evitando o desgaste político no Congresso. |
A pressão da sociedade e novos vazamentos da Polícia Federal (agora sob relatoria de André Mendonça no STF, que deu mais autonomia à PF) são os únicos fatores que podem furar esse bloqueio.
Por: Tony Lucas
