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A arte pela vida

USINA DE ARTE, O lugar onde a vida não basta

Para que as pessoas entendam a chamada da matéria, trata-se de uma frase de Ferreira Goulart, poeta e escritor brasileiro, que emocionado retratou a arte como sendo algo essencial para a vida humana. "A arte existe porque a vida não basta". Disse o poeta. Pois bem, preparem-se para uma viagem incrível. A usina de arte foi criada a partir de uma usina de açúcar dos anos 20 do século passado, fechada, que não mais trazia sustento para os trabalhadores do engenho Santa Terezinha, no município de Água Preta, na mata sul do estado de PE. Por tempos, incertezas e dúvidas rondavam a cabeça dos moradores do lugar que tiravam seu sustento da usina, que já foi a maior produtora de açúcar e álcool do Brasil, então, muitas famílias tiveram que migrar para outros lugares em busca de trabalho e prover seu sustento.


A usina nos anos 60
A usina nos anos 60

Até que surgiu uma maneira de mudar tudo, o herdeiro da usina Ricardo Pessoa de Queiroz e Sua Esposa Bruna Pessoa de Queiroz, resolveram introduzir arte e cultura ao lugar, para não só expandir e divulgar cultura e a arte contemporânea, como também estimular a economia criativa ajudando as pessoas da vila, a tornando um berço de oportunidades para os jovens e adultos que haviam perdido a esperança de conquistar algo valioso para suas vidas, a dignidade.




Essa jornada se inicia com a aquisição de trabalhos renomados que foram se espalhando pela propriedade de 44 hectares, onde quase 50 grandes obras de artistas nacionais e internacionais, estão espalhadas ao ar livre, um deleite aos olhos dos visitantes e admiradores de artes. O lugar parece o paraíso, tem um jardim botânico incrível e em meio a tudo isso, vem o trabalho com a comunidade, promovendo oficinas, cursos, escola de música, workshops, desenvolvimento digital, circo, teatro, dança, música, biblioteca pública, com a participação de professores, palestrantes, filósofos, artistas e um evento de música anual que já é consolidado e traz gente de todo Brasil para a Usina Santa Terezinha, o FESTIVAL ARTE NA USINA. Realizado sempre no mês de dezembro. Toda essa miscigenação cultural, fez as mais de 6 (seis) mil pessoas do lugar aprender a empreender, criar, se organizar e viver da arte e pela arte.


"Diva" (Juliana Notari)
"Diva" (Juliana Notari)

O projeto USINA DE ARTE é imenso e gera emprego e renda para a população, conhecimento e dignidade para todos, pois cada morador, cada jovem da comunidade está envolvido direto ou indiretamente com o propósito de conhecer, arte, cultura e educação, empreendedorismo, promovidos pelo projeto. Ricardo e Bruna pensaram em desenvolver pessoas e mostrar a elas os caminhos diferentes que podem seguir através do conhecimento e da arte. Conhecimento é a palavra ideal que apoia o projeto no seu mais alto grau. Pessoas simples de um lugar onde só havia trabalho braçal, corte da cana, moagem, hoje tem a arte e cultura como algo que mudou para sempre suas vidas.


Orquidário
Orquidário

Isso é legado e as pessoas da vila entenderam que a partir do projeto USINA DE ARTE a vida deles mudaria realmente e continua mudando, criando oportunidades, desenvolvendo trabalhos de empreendedorismo, restaurantes, pousadas, o artesanato, produtos regionais, logística de transportes, que fomentam o turismo na região que se transformou em um novo lugar, acolhedor e instigante que acredita na força da arte e das pessoas.



O Festival Arte na Usina, leva música brasileira da boa para turistas de todo Brasil e para os moradores que se entregam totalmente a atender seus visitantes. Um grande palco é montado nos arredores da usina e é um grande encontro de artistas nacionais que desfilam seus talentos e canções. Nomes importantes, Felipe Catto, Alceu, Marina Lima, Elba Ramalho, Santanna, Petrucio Amorim e muitos outros. Os artistas se encantam com o lugar e quem conhece sabe a atmosfera incrível da Usina, um ambiente sustentável que nos remete há décadas do século passado e você vai se entregar a essa viagem.


Mesmo com tudo que lá existe o projeto sofre todos os anos para fazer o festival de música por falta de patrocínio, o volume arrecadado não é suficiente e sempre deixa déficit. O apoio da prefeitura e de outros órgãos governamentais e empresas é pequeno e a conta não fecha, os organizadores têm que tirar do próprio bolso ou parar outros projetos para viabilizar o consolidado festival de música. A Usina carece de patrocinadores e a força das leis culturais para fomentar o evento. Como não há muitos holofotes e tem algo muito sério por trás, esse deve ser um dos motivos. Na verdade, é um projeto para o bem e se beneficia pessoas, interessa a poucos. Mas o tempo mostra os verdadeiros valores de se fazer o bem.

Espaço de shows
Espaço de shows

O antigo prédio da destilaria está em processo de tombamento, o que o faz entrar de vez na história do estado e garante a sua preservação. A USINA DE ARTE é o lugar para sonhar sonhos possíveis, sua atmosfera é incrível, o passeio é incomum por entre suas obras, em contato com a natureza. Se há um lugar que o Brasil precisa conhecer, é esse. Quem conhecer vai guardar para o resta da vida.


A usina hoje
A usina hoje

Obras em destaque no parque

  • "Diva" (Juliana Notari): Uma das intervenções mais famosas e debatidas, trata-se de uma escultura em formato de vulva/ferida de 33 metros de comprimento, escavada no solo e revestida de concreto e resina.

  • "Jardim Frágil" (Carlos Garaicoa): Instalação inaugurada em 2025 que dialoga com a fragilidade das estruturas e a natureza.

  • "Cabanos em Matas de Água Preta" (Liliane Dardot): Uma obra que resgata a memória histórica da região, integrando desenhos e o espaço natural.

  • "Templo Templo Tempo Templo" (Bené Fonteles): Uma homenagem à cultura africana e aos orixás, utilizando colunas de ferro e pedras em um contexto de militância ecológica.

  • Escultura de Paulo Bruscky: Uma intervenção que utiliza cactos e uma "lixeira monumental" para criticar o acesso à cultura. 



Nacionais: Regina Silveira, José Rufino, Paulo Bruscky, Iole de Freitas, Flávio Cerqueira e Hugo França.

Internacionais: Marina Abramovic, Alfredo Jaar e Saint Clair Cemin.


Quem visita não esquece, principalmente, dos anfitriões Ricardo Pessoa de Queiroz e Bruna Pessoa de Queiroz, pessoas que carregam uma longa história cultural no estado e fazem desse projeto suas vidas. Vale a pena demais passar uns dias por lá e conhecer toda a estrutura oferecida aos turistas e conhecer suas histórias.


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